As hérnias de disco, ou degenerações do disco intervertebral, afetam cerca 5,4 milhões de brasileiros, segundo dados do IBGE. Gerando sérias repercussões negativas sobre a economia e na qualidade de vida das pessoas todos os dias.

Mas afinal o que é a hérnia?

A hérnia de disco caracteriza-se pelo deslocamento do núcleo do disco após o rompimento da parte mais externa do disco intervertebral. E como consequência, pode ocorrer o abaulamento do disco e extravasamento do conteúdo do disco para o canal medular.

Onde normalmente afeta

A região lombar costuma ser afetada principalmente entre os discos de L4-L5 ou L5-S1. Já na região cervical o local mais afetado são os discos entre as vértebras de C6-C7.

Causas

As causas da hérnia de disco podem ser multifatoriais, ou seja, existe mais de uma causa que leva a pessoa chegar nesse estágio e isso ocorre ao longo do tempo e não do dia para a noite. Dentre os principais fatores que podem deixar a sua coluna mais suscetível a desenvolver uma hérnia de disco estão o tabagismo, aumento do peso, sedentarismo e alguns fatores genéticos.

Classificação

As hérnias podem ser classificadas e divididas em 4 tipos ou fases:

  • Abaulamento – O disco começa a apresentar sinais de degeneração com leves fissuras na parte externa do disco, anel fibroso.
  • Protrusão – o mais comum. Quando o núcleo permanece intacto, mas já ocorre uma perda do seu formato.
  • Extrusão – quando o núcleo encontra-se deformado, dando a leve impressão de formar uma “gota” querendo sair.
  • Sequestro – quando o núcleo está bem mais danificado, e ocorre a separação de uma parte do disco e acaba comprometendo a região nervosa, dependendo do local do deslocamento.

Diagnóstico

O diagnóstico das hérnias são realizados principalmente através da análise do exame de imagem de Ressonância Magnética. Que é o exame mais indicado pois trás maiores informações em termos de imagem das estruturas envolvidas.

Sintomas

Normalmente as pessoas sentem progressivamente dores na região afetada, ou seja, dores nas costas ou dores no pescoço. As dores ou desconfortos vão surgindo aos poucos conforme a degeneração vai agravando e a pessoa não trata adequadamente das principais causas, sejam elas mecânicas, químicas ou ambos. Em outros casos podem haver rompimentos abruptos em caso de acidentes. As dores podem ser pontuais, em queimação ou irradiadas como se fossem choques ou formigamentos que a pessoa sente no trajeto dos nervos envolvidos ou afetados.

Quando está no início do problema a dor é mais pontual, localizada e fácil de tratar, mas conforme vai piorando, o quadro clínico pode evoluir para irradiações para as pernas ou braços dependendo do local acometido. Quanto mais próximo das mãos ou dos pés, normalmente pior será a gravidade e lesão, e quanto mais próximo da coluna as dores se encontrarem, menores são as lesões e mais fácil de reverter e minimizar ou evitar possíveis sequelas motoras ou neurológicas.

Tratamento

O tratamento varia de acordo com a gravidade e extensão da lesão da hérnia de disco de cada indivíduo. Assim como da adaptação que o corpo de cada pessoa realiza ou deixa de realizar. Hábitos de vida saudáveis, manter-se fisicamente ativo, qualidade e estilo de vida, estão entre os fatores que podem ajudar você a se recuperar melhor e mais rápido de uma hérnia de disco.

Por exemplo, pessoas que praticam atividades físicas regularmente podem ter já algumas hérnias desenvolvidas porém serem assintomáticas. Isto ocorre pelo fato do fortalecimento do seu corpo estabilizar as articulações da sua coluna através da força e tônus muscular impedindo que as lesões do disco se agravem, assim como o surgimento de novas lesões

Em alguns casos extremos as hérnias podem ser cirúrgicas, principalmente quando houver perda abrupta de força dos braços ou das pernas. Mas na grande maioria das vezes o tratamento conservador será a melhor opção.

Tratamento conservador e fisioterapêutico

Atualmente no tratamento conservador e fisioterapêutico é a melhor opção em muitos dos casos e dentre os recursos mais atuais temos as seguintes alternativas:

  • Reeducação dos hábitos de vida diários conforme citado acima, sobre a alimentação, atividades físicas, sedentarismo e hábitos posturais.
  • Diagnosticar quais as melhores direções de movimento da coluna que o paciente deve executar ajudarão a entender quais as melhores e piores atividades que ele deve ou não executar em cada fase da reabilitação e ter um maior índice de sucesso para a sua melhora.
  • A osteopatia e outras técnicas de terapias manuais serão de fundamental importância para ajudar a reequilibrar as articulações, músculos e vísceras que estiverem comprometidos e envolvidos no processo de sobrecarga da hérnia de disco com o intuito de aliviar esta sobrecarga e permitir que o corpo direcione seus esforços em prol da melhora da hérnia de disco.
  • O sistema da maca de flexo-distração é uma ótima ferramenta da atualidade que pode auxiliar na descompressão do disco intervertebral. Aliviando a sobrecarga do disco, permitindo que ele se reidrate e recupere sua mobilidade mais rápido mecanicamente. Somando as sessões de fisioterapia para otimizar o processo de melhor.
  • Um bom fortalecimento e reequilíbrio de toda parte muscular e articular será de fundamental importância principalmente dependendo da fase de reabilitação que o paciente se encontre. Geralmente isto ocorre na terceira fase da reabilitação.

Cada caso possui uma necessidade diferente para a sua melhoria e precisa ser acompanhado com frequência e regularidade para direcionar sua evolução.

De acordo com todos estes fatores apresentados, algumas pessoas podem ter uma melhora mais rápida e outras mais lenta, precisando de maior ou menor frequência nas sessões de fisioterapia, um tratamento mais ou menos intensivo. Que será avaliado caso a caso de acordo com a evolução individual de cada paciente.

O mais importante é que você cuide de sua saúde para não chegar neste estágio!

E para você que se encontra com este problema, saiba que estamos prontos para ajudá-lo a ter sua qualidade de vida de volta.

Um grande abraço

Dr. Frederico Bezerra e equipe Fisio Hérnia